Viver Melgaço, apaixonadamente!

Viver Melgaço, apaixonadamente!

O dia começou bem cedo, às oito horas em ponto, já os galos cantavam em Castro Laboreiro e o sino da igreja dava os bons dias matinais.

Antes do pequeno almoço no Hotel Castro Villae, situado mesmo à entrada da vila, aproveitamos para dar um pequeno salto até ao Miradouro para avistar o castelo e contemplar a paisagem rochosa que se estendia à nossa frente.

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Uma mulher vestida de negro recolheu-se para dentro da sua casa de granito, quem sabe uma “viúva de vivos”, nome a que os seus habitantes davam às mulheres cujos maridos, filhos e netos emigravam em busca de condições de vida melhores. Durante a sua ausência, estas mulheres vestiam-se completamente de negro, dos pés à cabeça, e só quando os homens regressavam é que as suas vestes escuras eram retiradas.

Curioso saber que Castro Laboreiro sempre foi conhecida como uma comunidade de mulheres. Elas é que tomavam as rédeas da casa na ausência dos maridos, cuidando do gado e do campo, sempre com o auxílio do seu cão de raça “Castro Laboreiro”, um magnífico cão de pastoreio, tão conhecido pela sua coragem e valentia, como pela sua docilidade.

Já com as torradas, café e sumo de laranja tomados, partimos pela Estrada Nacional 202 em direção às Termas de Melgaço. Aí, deslumbramo-nos com toda a vegetação envolvente e com a tranquilidade da ribeira da Bouça Nova, a qual atravessamos por uma ponte que dava acesso ao edifício onde provamos a água com gás na buvete da Fonte Principal. Vinda diretamente da terra, fria e com forte sabor a ferro, fomos informados que esta é uma boa água para combater a diabetes. E com tantas coisas doces que iríamos comer durante o dia, bem que precisaríamos de beber muitos copos desta água com propriedades miraculosas!

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Eliana e Carmen, duas terapeutas, acompanharam-nos numa visita às instalações onde trabalham, onde conhecemos as salas de hidromassagem, o duche vichy, o duche de jato e a piscina com vários jacuzzi. Pena que nesta altura do ano as Termas estão fechadas, uma vez que a baixa procura nesta época do ano não justifica o seu funcionamento. Contudo, ficamos com vontade de vir cá novamente entre Abril e Setembro, altura em que todos os tratamentos estão a funcionar na perfeição!

Após a visita às termas, era chegada a hora da grande aventura do dia. Uma aventura um tanto ao quanto molhada mas absolutamente fascinante pela bravura das águas do Rio Minho e pela beleza da paisagem circundante. Após equiparmo-nos no Centro de Estágios de Melgaço, o qual já recebeu equipas de futebol como o Boavista, o Chaves e o Valladolid, lá partimos com a Melgaço White Water para um rafting no rio Minho!

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João e Ruben foram os nossos monitores, que ao longo do percurso, entre os mergulhos habituais de batismo e as piadas para descontrair os mais “assustados”, lá nos foram explicando as características que fazem do Rio Minho um rio ideal para a prática do rafting ao longo de todo o ano. Dada a construção das “Pesqueiras”, estruturas em pedra usadas pelo homem para pescar a truta e o salmão que vêm desovar no rio, o caudal fica mais bravo nessas zonas, sendo ideal para a prática deste desporto de aventura. João informou-nos ainda que este é um rio perfeito para toda a família, pois serve tanto o neto como o avô e até os mais medrosos! Que o diga a perna do próprio após na semana passada uma cliente a ter deixado com nódoas negras por não a ter largado durante todo o percurso, tal era o seu medo inicial. Mas o que interessa é que tudo correu bem e a cliente acabou por adorar a experiência.

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Melgaço é um ótimo destino para os amantes de Turismo de Natureza e de Aventura, tendo excelentes paisagens naturais para a sua prática, desde as suas cadeias montanhosas que se estendem até Castro Laboreiro, perfeitas para caminhadas e passeios de bicicleta, até ao Rio Minho ideal para o rafting, canoying e outros desportos aquáticos. Ao longo do percurso de rafting fomos avistando o voo das garças e dos patos sobre o rio. “Com sorte, até podemos avistar lontras”, disse Ruben, só que estas pareciam não estar interessadas na nossa passagem.

Depois de duas horas dentro de água a remar, já se pedia alguma coisa para comer e nada melhor do que uma saborosa experiência gastronómica na Quinta de Folga, um projeto familiar integrado na rota do vinho Alvarinho que aposta na criação ao ar livre do Porco Bísaro. Não sem antes fazer uma visita à Quinta de Soalheiro com o António Luís, um enólogo apaixonado pela região e acima de tudo pelo vinho de excelente qualidade que produz. Aliás, sente-se essa paixão sempre que António nos dá a provar uma das colheitas que sairá para o mercado em breve e nos explica com sabedoria o porquê dos sabores e dos aromas que estamos a sentir ao beber um Soalheiro. É caso para dizer que fomos uns dos primeiros a provar a colheita de 2016, que promete ser um vinho de excelência.

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O almoço na Quinta da Folga foi divinal, prolongando-se por mais de duas horas de degustação. Desde os pimentos da horta, o queijo de cabra da Prados de Melgaço, o presunto, as alheiras de Porco Bísaro (quentinhas a sair do forno) e a chouriça de sangue com cebola, tudo estava maravilhoso. Após as entradas fomos banqueteados com a carne tenra do cachaço do Porco Bísaro, acompanhadas com espinafres estaladiços, as “batatas fritas locais”, disse António com alguma ironia à mistura. Tudo isto sempre acompanhados pelos melhores vinhos Soalheiro, entre os quais o Terramatter, um vinho exclusivamente feito a partir das uvas biológicas da sua quinta, que pela sua cor intensa e aroma cheio faz lembrar os vinhos antigos, mas que se bebem com imensa satisfação.

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O Trilho das Pesqueiras, o qual fizemos acompanhados pela Sylvie, guia da Vertigem Trilhos, serviu para digerir calmamente o manjar minhoto. De dificuldade fácil, este percurso pedestre circular de 6 quilómetros passa por vários pontos de interesse, entre os quais um moinho de água localizado no Rio do Porto e um passadiço que acompanha-nos durante algum tempo, permitindo admirar novamente o Rio Minho, as suas Pesqueiras e avistar os “nuestros hermanos” na outra margem.

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O dia só podia terminar de uma forma: no Solar do Alvarinho a provar mais uma das 25 marcas de vinho monocasta. Este espaço localizado no Edifício dos Três Arcos, em plena zona histórica de Melgaço, dispõe não só de uma sala de provas como também de uma loja para comprar não só vinho Alvarinho, como também fumeiro, mel e artesanato local.

A vila mais a Norte de Portugal é sem dúvida um local a visitar, não só pela paisagem que proporciona excelentes momentos de Turismo de Natureza e Aventura, não só pela gastronomia e vinhos onde somos presenteados com uns dos melhores produtos nacionais, mas também, e acima de tudo, pelas pessoas, aquelas que todos os dias recebem os seus visitantes com aquele sorriso e modo de estar minhoto, que não deixa ninguém indiferente. Aliás, deixa toda a gente apaixonada!

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Fotos: Pedro Caetano