Passeios eco-sociais na cidade do Porto

Passeios eco-sociais na cidade do Porto

Nasceu frio e húmido, sem que se vislumbrasse uma ponta de sol, mas à hora marcada do encontro, o dia já tinha raiado e o sol foi um excelente companheiro durante toda a manhã. Às 10h15 em ponto (porque o dia tem que começar cedo!) lá partimos para um passeio que veio adivinhar-se repleto de história e de estórias.

Pedro, formador e activista eco-social, é o fundador do projecto Terramote351 que tem como objectivo dinamizar passeios pelas várias freguesias da cidade do Porto para turistas que procuram circuitos mais alternativos, sempre com um carácter de proximidade e familiaridade com as várias vertentes sociais, culturais, ecológicas e até económicas da cidade.

O Roteiro Vitória.COM, assim se chama o passeio que “terramoteamos”, é um roteiro com a temática do comércio tradicional e familiar ainda subsistente na zona da Vitória. Por praças, largos, ruas e escadarias, tivemos a oportunidade de conhecer partes do Porto desconhecido, ou simplesmente esquecido, mas que continuam a ter gente que fazem parte da cidade. Novos e velhos, mercearias antigas e lojas gourmet, drogarias quase centenárias, de tudo isso é feita a freguesia da Vitória. E de tudo isto ela precisa para sobreviver aos novos tempos.

Desde a Praça dos Leões, passando pela antiga Praça do Pão (onde atualmente se situa a Leitaria do Paço) e pelo largo Moinho de Vento onde se iniciava uma Feira de Bairro, até à Praça Carlos Alberto, o Pedro foi contando partes da história referentes a cada local. Foi com curiosidade que ficamos a saber que o actual Jardim da Cordoaria começou por ser um campo de oliveiras, mais conhecido por campo do Olival. Aliás, existem ainda lojas nas imediações que fazem referência a essas origens. Lá também existia uma das portas principais da cidade, virada a Norte, e foram plantados álamos que chegavam a durar 300 anos!

Após termos descoberto que o Tribunal do Porto, um edifício imponente do Estado Novo, foi construído sobre o antigo Mercado do Peixe, entramos na Igreja de S. José das Taipas para contemplarmos uma pintura sobre o trágico desastre da Ponte das Barcas, ocorrido durante as invasões francesas.

Entre conversas sobre alguns eventos marcantes da história portuense, entre a fundação de um país e a construção da muralha fernandina, lá se desceu até à Rua de Belmonte para admirar uma das lojas mais antigas do Porto, a papelaria Araújo & Sobrinhos, fundada em 1829 e que se encontra a ser remodelada.

Para terminar em beleza, o Pedro lá nos levou ao Miradouro da Vitória que tem uma das vistas mais arrasadoras para a cidade do Porto. Infelizmente, não podemos deixar de constatar o abandono quase completo de um dos sítios mais aprazíveis da cidade.

Foi sem dúvida uma manhã inesquecível e muito enriquecedora, sempre com a importância da valorização do património e do estímulo às pequenas economias locais no cerne das conversas, salientando por vezes para alguns aspectos de degradação, mas sobretudo com uma visão crítica da cultura e da identidade de uma cidade, que é o Porto.

Para mais informações sobre os passeios visitem o blog  http://terramote351.blogspot.pt/