Carta do Turismo Sustentável renovada no País Basco

Carta do Turismo Sustentável renovada no País Basco

Em finais de Novembro de 2015, o mundo do turismo voltou a reunir em torno da Cimeira do Turismo Sustentável, vinte anos após a celebração em Lanzarote, do primeiro evento global que assumiu a vontade e necessidade de incorporar nesta atividade os princípios de sustentabilidade saídos da também primeira, Cimeira da Terra, das Nações Unidas, no Rio de Janeiro em 2012.

Em 1995, os principais atores internacionais como a Organização Mundial de Turismo, agências e outras organizações ligadas ao turismo juntaram-se em Lanzarote e subscreveram a carta do Turismo Sustentável a qual criou a moldura seguida desde essa data no que diz respeito à gestão responsável da atividade económica que mais cresce a nível mundial.

Ecolodge brejeira

Príncipios de conservação e gestão sustentável de recursos, energia, resíduos, mas também de preservação da identidade cultural e valorização do património  e história dos locais onde o turismo se desenvolve foram inscritos ao longo das duas últimas décadas, quer em legislação quer em outros instrumentos de regulação e certificação específicos para o turismo. A meio do percurso, e porque a sensibilização e consciência dos consumidores para as questões da sustentabilidade tem vindo também a crescer, descobriu-se o valor acrescentado que as boas práticas e princípios de sustentabilidade aportam ao negócio, já que promovem eficiência e qualidade mas também oferecem oportunidades de comunicação e identificação com clientes, cada vez mais informados e interessados em fazer parte dos processos.

Ilha Terceira 1

Não admira pois que a última Cimeira do Turismo Sustentável, no passado mês de Novembro de 2015, em Vitoria, País Basco, tenha merecido uma presença significativa de entidades supranacionais, nacionais e regionais, do sector público e privado, que acordaram e subscreveram a nova Carta do Turismo Sustentável, acrescentando novos elementos à carta de Lanzarote.

Entre as novidades, as questões sociais ganham destaque já que não haverá sustentabilidade se não se incorporarem, a par das questões ambientais, as dimensões económica e social, não deixando de fora a educação, o trabalho, a cultura, a equidade e igualdade, tal como a conservação da natureza e biodiversidade, a gestão dos recursos naturais dos resíduos e da energia, que devem ser consideradas a todo o tempo e de forma integrada.

incomunidade

Considerando a intensidade e os impactos que o turismo gera, em matéria de uso de recursos, alteração de estruturas sociais e ambientais, não poderiam continuar a ser ignorados ou tratados individualmente todas as variáveis de que depende a sustentabilidade do setor. Importa agora dar a conhecer e implementar os princípios da Carta de Turismo Sustentável e, sobretudo fazer dela um farol de apoio à navegação e desenvolvimento da actividade, de forma coerente de modo a que a sua evidencia perante o mercado possa ajudar a cimentar um posicionamento sólido e atractivo, gerador de confiança, da qual resultará crescimento e fidelidade.

Artigo escrito por António Domingos Abreu (DN)