Tibete português será Área Protegida

Tibete português será Área Protegida

O processo de classificação da paisagem cultural da aldeia de Sistelo, considerada o Tibete português, foi finalmente aberto, meses depois da aldeia às portas do Parque da Peneda-Gerês ter escapado à ameaça do projeto de uma mini-hídrica.

O jornal Público noticiou que os socalcos da aldeia de Sistelo, em Arcos de Valdevez, estão agora a caminho de se tornar uma área protegida. A Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) deu início ao processo, no mês passado, devendo, durante o próximo ano, oficializar a classificação daquela paisagem cultural. Na localidade, espera-se que o reconhecimento possa aumentar a sua visibilidade e atrair mais turistas.

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Foto de Jornal Público

O documento determina que toda a área de socalco da aldeia do concelho de Arcos de Valdevez está abrangida pela classificação como paisagem cultural protegida, bem como os imóveis localizados à sua volta. A DGPC estabelece ainda um perímetro de 50 metros em torno dos limites desta área, que passarão a constituir uma zona geral de proteção.

A povoação fica no extremo norte do concelho de Arcos de Valdevez, às portas do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG). Sistelo tem cerca de 300 habitantes e uma paisagem marcada por casario tradicional, moinhos, espigueiros e um elemento especialmente marcante, os socalcos, que lhe valeram o tratamento como “o pequeno Tibete português”.

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Foto de Jornal Público

Estes elementos são exemplo da forma como as populações, durante séculos, ultrapassaram as difíceis condições orográficas naquele vale encaixado do rio Vez para tornarem estas terras produtivas, irrigando-as através de levadas.

A classificação nacional “pode ser a garantia de alguma sustentabilidade para o futuro da freguesia”, espera o presidente da junta, Sérgio Rodrigues. A localidade está há vários anos a contas com um problema de desertificação. “Não conseguimos fixar os jovens”, lamenta o autarca, que espera que a classificação possa contribuir para um aumento da visibilidade, atraindo um maior número de turistas e contribuindo para a criação de unidades hoteleiras e de restauração que possam criar o emprego que por aqui falta.

A classificação pode, por isso, ser “muito importante” para a aldeia, evitando a degradação do património construído ou a apresentação de projectos como aquele que sobressaltou a aldeia no Verão. A empresa Hidrocentrais Reunidas projetava então um investimento de 12,5 milhões de euros e instalar 10 MW de potência, prevendo gerar 24,7 GWh anuais de energia. Apesar das garantias da empresa de que o projeto dava todas as garantias ambientais, a população mobilizou-se contra a intenção, demonstrando o seu descontentamento durante a fase de consulta pública e assinando uma petição — que ultrapassou as 5500 assinaturas — pedindo “às entidades competentes a emissão de um parecer negativo à construção deste aproveitamento hidro-eléctrico”.

Foto de Fernando Cerqueira Barros

Foto de Fernando Cerqueira Barros

As boas notícias para a população local chegaram poucos meses mais tarde quando, em Setembro, o então secretário de Estado do Ambiente, Paulo Lemos, deu um parecer desfavorável à construção da central mini-hídrica no rio Vez. A decisão baseou-se na convicção da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) de que “os impactes negativos decorrentes da implantação do projeto ultrapassam em muito os impactes positivos”.

Fonte: Público